Porque não existem pinguins no hemisfério Norte?

Esse post é dedicado ao meu amigo Marcos, que nos deixou no tropical Hawaii para ir viver na cinza Maryland (hehehe). Menino muito curioso, ele não se conteve quando contamos a ele que os pingüins eram animais exclusivos do hemisfério sul e que os ursos polares, por sua vez, eram exclusivos do hemisfério norte. Marcos pensou, pensou e como um bom engenheiro (e vale ressaltar que ele é um engenheiro “da porra”) descobriu a razão: ursos e pingüins descendem do mesmo ancestral e que na verdade, um é a versão do outro para o seu respectivo hemisfério. Bom, se voltarmos muito, muito, muito tempo na história da vida faz sentido, afinal todos nós partimos de uns mesmos seres unicelulares que decidiram respirar oxigênio pela primeira vez na Terra mais de 3 bilhões de anos atrás.

Um dia recebi de outra amiga um link para O ECO, um site incrivel de jornalismo ambiental (vale a pena uma visita!!) e lá estava a pergunta que deixou meu amigo tão intrigado por tanto tempo. Com a devida autorização dos editores do site, vou reproduzir o texto abaixo:

Fernando Fernandez

“Por que não existem pingüins no hemisfério norte?

06.05.2008 por Fernado Fernadez

Você já pensou por que não existem pingüins no hemisfério norte?

Todos nós aprendemos que pingüins são encontrados apenas no hemisfério sul, na Antártida e adjacências. Implicitamente, isso nos é passado como sendo um fato da natureza – como se sempre tivesse sido assim. Mas não é o caso. A resposta para a nossa questão é muito mais interessante que isso, e ao mesmo tempo desconcertante e perturbadora.

Não existem pingüins no hemisfério norte porque o homem os extinguiu em 1844.

A ave que foi originalmente chamada de pingüim é hoje conhecida – menos do que deveria ser – pelo nome de grande alca (“great auk”). Seu nome científico – Pinguinus impennis – foi baseado em seu primeiro nome vulgar. Os pingüins do hemisfério sul, aves pertencentes a outra família e descobertos depois, receberam o seu nome exatamente por que se assemelhavam às grandes alcas. As alcas eram aves de grande porte, que viviam no Atlântico norte, em volta do círculo polar ártico, e que eram caçadas em imensa quantidade entre os séculos XVI e XIX – enchiam os porões dos navios para servir de alimento, e também eram usadas como isca para a pesca de bacalhau e lagostas. Sob essa imensa pressão, as alcas declinaram inexoravelmente até uma situação desesperadora. Então, no dia 3 de junho de 1844, um grupo de marinheiros avistou o último casal de grandes alcas, denunciados por sua grande estatura em meio às aves marinhas menores, na pequena ilha de Eldey, ao largo da Islândia.

Os marinheiros correram para as grandes alcas com porretes. As alcas tentaram desesperadamente alcançar a segurança da água, mas uma foi encurralada contra as rochas, e outra alcançada já à beira d’água. Ambas foram mortas a porretadas. Em seu ninho havia um ovo, que se acredita ter sido esmagado sob a bota de um marinheiro.

É por isso que não existem (mais) pingüins no hemisfério norte. Não, não é um fato da natureza, infelizmente. Nós fizemos isso ser assim.

As grandes alcas não estão sozinhas, longe disso. Há uma imensa coleção de espécies de animais que nós extinguimos nos últimos séculos. Na maior parte dos casos são extinções muito bem documentadas e conhecidas pela ciência, de espécies que todos nós deixamos de conhecer por muito pouco. Muitas delas eram animais maravilhosos, espetaculares, que fariam o mundo vivo parecer muito mais rico e maravilhoso do que já é.”

E , caso pudessemos ter conhecido a grande alca, ela seria assim (Ilustração feita por John James Audubon and Robert Havell, 1827–30):

Grande Alca
Fonte da foto: auk, murre, and puffin.” Online Photograph. Britannica Student Encyclopædia. document.write(new Date().getDate());24 document.write(mm[new Date().getMonth()][0]);May document.write(new Date().getFullYear());2008  <http://www.student.britannica.com/eb/art-57402>.

Add comment Maio 24, 2008

Responder versus Responder a todos

Básico… todo mundo que usa email sabe a diferença entre o botãozinho “Responder” e “Responder a todos”.

Mas hoje essa diferença passou em branco para mim, respondendo toda feliz um email que buscava voluntários para amostrar uma desova de coral – com a opção de COLETAR as amostras mergulhando!! Imagina se eu ia dizer que não, agora que meu hobby e da Joana nos finais de semana é ir fazer snorkel por aí e estou toda faceira com isso.

Então, juntou-se empolgação, um pouco de sono e uma boa cólica que doia horrores e prejudicava minha concentração (aí, quanta desculpa!) e lá se foi o email para TODO meu departamento, incluindo alunos, professores, pesquisadores e mais umas pessoas extras… E agora, todo mundo sabe que eu quero fazer coletas, que prefiro mergulhar e que ainda vou viajar no dia 5!! Ainda bem que o email não vinha de alguém que eu tinha mais intimidade para quem eu teria escrito mais besteira, mas, ainda assim… É incrível como informação é poder. Agora eu sei que eles sabem coisas que eles não precisavam saber (como a data da minha viagem ou meu contentamento de ir coletar desova de coral mergulhando).

Engraçado como postar aqui, para conhecidos e desconhecidos lerem não tem o mesmo efeito. Eu estou escrevendo as mesmas coisas aqui e… não doi nada! Eu poderia colocar essas informações todinhas no Facebook, e todos meus colegas de departamento lerem e não iria ter problema nenhum. Pelo simples fato que eu posso ESCOLHER fazer isso. E o email foi um acidente. Foi informação vazada. Sem filtrar conteúdo e destinatários. Sem escolha racional. Mas também, sem conteúdo comprometedor. Então tá safo!

Diferente da história que meu namorado meu contou quando soube do episódio. Ele recebeu um email através da lista de uma associação profissional que ele participa no qual o remetente falava com o destinatário a respeito da herpes genital deles que estava melhorando. Claramente o email era para o amante do remetente, não para a sua lista profissional. É tão triste que é engraçado. Que situação!

Bom, eu decidi pensar que se alguém tem tempo para desperdiçar e lembrar do incidente quando me ver vão pensar: “Que legal! Essa guria curte mergulhar”, “Que bom, ela se prontifica a ajudar nos trabalhos alheios”, “Nossa, ela tem interesses multidisciplinares!”… hahahahaha… Assim fica melhor? Afinal, tudo depende de como encaramos as situações embaraçosas… Mas, na dúvida de faltar humor para lidar com as consequências do seu email, cuidado com o botão que você aperta… “Responder para todos” pode ser engraçado para todos, menos para você.

Add comment Maio 13, 2008

Olha quem está me visitando!!!

from topp.org posted with vodpod

Um tubarão branco, um dos mais temidos predadores do reino animal! O predador dos predadores… passeando em águas havaianas! Mas, esse não é um tubarão branco qualquer. Ele tem um nome, e destino conhecido… Ele é o Omoo, um dos animais marinhos rastreados pelo programa TOPP (Tagging of Pacific Predators) que coloca tags nos principais predadores do Pacifico e rastreia os animais durante as suas migrações.

O tubarão branco cujo nome cientifico é Carcharodon carcharias mede em média 5 metros (embora possa chegar a 7) e pesa aproximadamente 700 kg. Engraçado pensar que o famigerado tubarão branco é, de fato, pequenino quando comparado com o atum azul, que em média pesa 684 kilos e mede 4.58 metros. Esse tubarão ficou famoso pelo filme (err, de um nome muito criativo) “Tubarão”, no qual os animais são retratados como malévolas criaturas.

No Pacifico Leste os tubarões brancos podem ser encontrados do Alaska ao México, mas não ao norte do estado de Washington. Acreditava-se que os animais se concentravam na costa da California, mas dados dos animais rastreados pelo programa TOPP mostram que os animais nadam da California ao Havaí (humm… espertinhos esses tubarões!). A lista do do World Conservation Union lista os tubarões brancos como vulneráveis e hoje eles são protegidos nas águas Californianas e Mexicanas. Nem mesmo o predador dos predadores conseguiu sair ileso das mudanças criadas pelos homens!

Clicando no mapa abaixo você será direcionado para a página do programa de marcação dos predadores do Pacifico (TOPP) e poderá acompanhar a migração do tubarão branco e de outros incríveis animais.

Curiosidade: O corpo desses animais pode atingir temperaturas maiores que a da água ao seu redor. Assim como também acontece com a albacora-de-laje (Thunnus albacares – yellowfin tuna) e com o bonito-listrado (Katsuwonus pelami – skipjack tuna) , cuja temperatura corporal pode chegar a 12 graus C a mais que a água onde se encontram. Um fato interessante (que ouvi na última quinta-feira numa palestra com o professor Charles Birkeland) é que a temperatura corporal desses animais cresce especialmente durante a alimentação, e que os pescadores evitam sua captura nesse momento. Assim, eles garantem q a carne possa ser vendida para “sushi” com um melhor preço de mercado e não para a industria de enlatados.

(Parte do texto foi baseado nas informações da página do TOPP – http://topp.org/species/white_shark)

Add comment Maio 13, 2008

Bóias medidoras de Tsunami

Aqui está a animação de como o sistema DART (Deep-Ocean Deep-ocean Assessment and Reporting of Tsunamis) funciona. A fonte foi a página da NOOA PMEL:

from nctr.pmel.noaa.gov posted with vodpod

Funcionamento do DART

Quando uma onda passa pela bóia medidora, sinais são emitidos e transmitidos por satélite para os centros de alerta de tsunami localizados nos estados do Hawaii, Alasca, Washington e Mississipi.

As bóias estão localizadas por todo o Pacífico como mostra o mapa abaixo retirado da página da NOAA http://www.ndbc.noaa.gov/dart.shtml. Vale a pena ver o mapa pois há opções de interação e é possível ver online os dados emitidos pelas bóias.

Bóias Dart

Notaram que não temos nenhuma bóia na nossa costa? Apesar de termos uma posição geográfica privilegiada e a probabilidade de um tsunami atingir a nossa costa ser muito menor que nos países que tem costa no Pacífico essa probabilidade ainda existe. Alguns podem lembrar do grande susto que o imprevisto terremoto na bacia de Santos gerou em abril passado, mas a maior ameaça de um tsunami nas nossas costas viria das Ilhas Canárias, que apresenta grande atividade vulcânica e representa um grande risco de atividade tectônica que poderia originar tsunamis. Vale lembrar que os mecanismos de geração de um tsunami ainda não são completamente entendidos pelos cientistas, e ninguém pode afirmar que um tsunami vai ou não ser gerado em alguma localidade. Mas, num assunto como esses, eu prefiro ficar do lado mais seguro: É melhor prevenir do que remediar.

1 comment Maio 9, 2008

Internationalization of the world – Cristovam Buarque

I did not write this, but I it is one of my favorite speeches. Brazilian Senator Cristovam Buarque gave a lecture in t New York University in 2000, after the lecture he was questioned about the internalization of the Amazon region. And, this is his answer:

“During a recent discussion, in the United States, someone asked my opinion regarding the internationalization of the Amazon Region. The youngster asserted that he expected a response of a humanist and not of a Brazilian.

This was the first time anyone had established the humanist viewpoint as the starting point for my response. In fact, as a Brazilian I would have responded simply against internationalization of the Amazon Region. Even if our governments have not given the attention that this treasure deserves, it is ours. I responded that, as a humanist, realizing the risk of environmental destruction that threatens the Amazon Region, I could imagine its internationalization, just as for everything else that is important to humanity.

If the Amazon Region, from a humanist΄s point of view, has to be internationalized, then we should internationalize the oil reserves of the entire the world as well. Oil is just as important to the well being of humanity as the Amazon Region for our future. Nevertheless, the owners of oil reserves feel it is in their right to increase or decrease oil production and to raise or lower the price. The rich of the world, feel they have the right to burn this valuable possession of humanity. Similarly, the financial capital of the wealthy nations should be internationalized. If the Amazon Region is a natural reserve for every human being, then it could not be burned down by the decision of a landowner or a country. To burn down the Amazon Region is so tragic, as the unemployment provoked by the arbitrary decisions of world wide speculators. We cannot permit that the world΄s financial reserves serve to burn down entire nations according to the whims of speculacion.

Before the (internationalization of the) Amazon Region, I would like to see the internationalization of all the world΄s great museums. The Lourve cannot belong only to France. Each museum in the world is a guardian for the most beautiful works produced by the human genius. It cannot be permitted that these cultural possessions, as the natural posession of the Amazon Region, can be manipulated or be destroyed according to the whims of an owner or a country. Recently, a Japanese millionaire decided to have a painting of a grand master burried with him in the grave. This painting should have been internationalized.

At the time of the meeting, in which this question came up, the United Nations convened the Forum of the Millennium and the presidents of several countries had difficulties in attending due to barriers (they faced) at the border. Therefore, I contend that New York, as the base of the United Nations, should be internationalized. At least Manhattan should belong to all of humanity. Similarly Paris, Venice, Rome, London, Rio de Janeiro, Brazilia, Recife, every city with its own beauty, its own history should belong to the whole world.

If the United States wants to internationalize the Amazon Region, due to the risk of leaving it in Brazilian hands, then we should internationalize all the nuclear stockpiles of the United States. Particularly since they have already shown that they are capable of using these weapons, causing a destruction thousands of times greater than the sad fires taken place in the Brazilian forests.

During their debates, the current U.S. presidential candidates have defended the idea of internationalizing the world forest reserves in exchange for the debt. We could begin to use this debt to guarantee the right of every child in the world to attend school. We could internationalize the children treating all of them, regardless of their birthplace, as a posession which deserves the care and attention of the entire world. Even more so than the Amazon Region. When the world leaders attend to the world΄s poor children as possessions of Humanity, they will no longer permit that these children work when they should be studying, that they die when they should be living.

As a humanist I accept to defend the internationalization of the world. So long as the world treats me as a Brazilian, I will fight so that our Amazon Region will be ours. Only ours.”

Text by Cristovam Buarque (Professor of Brasilia University, ex-governor of Brasilia, D.F. and Brazilian Senator). As reported in the Brazilian Daily O Globo on the 23rd of October, 2000.

(I found the translation on the following website: http://www.diaplous.org/amazo.htm)

11 comments Maio 7, 2008

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