Tsunami II

Voltando aos tsunamis, uma das coisas que mais me indignou na tragédia de 2004 foi a incapacidade de algo ter sido feito para preveni-la. E assim que, em minhas aulas sobre tsunami, aprendi também o que realmente aconteceu.

Na época do incidente as técnicas mais modernas que citei no outro post sobre Tsunamis não existiam (como o MOST e DART), mas o protocolo para tentar achar as ondas e estimar a formação de um tsunami estava bem estabelecido.

Assim, os pesquisadores do centro de Tsunami do Pacífico receberam e analisaram imediatamente os dados do terremoto na Indonésia, concluindo que a onda não atingiria a nenhum ponto da sua rede de abrangência. Sim, esse sistema de detecção é fruto de colaboração entre diversos países. O tsunami atingiu a Indonésia muito rápido para fazer qualquer coisa, mas eles puderam prever a chegada de uma onda mortal à Tailândia.

A imprensa na época noticiou que os pesquisadores não haviam feito nada, mesmo sabendo da onda. O que ocorreu foi: eles tentaram, muito, mas não conseguiram fazer nada!

Ao saberem que a onda poderia atingir a Tailândia (já tarde demais para alguma coisa ser feita em relação a Indonésia), os pesquisadores tentaram entrar em contato com o governo do país. Mas, diferente dos países pertencentes “a rede”, com os quais eles possuem uma linha direta, conseguir um número e conseguir falar com alguém demorou muito. E, quando eles finalmente conseguiram comunicar o problema, descobriram que a Tailândia não possuía nenhum plano de ação para Tsunamis. E infelizmente, a tragédia ocorreu.

Em termos de desastres naturais, um plano de ação inclui:

  • ter meios de prever a tragédia
  • de comunicar a população eficientemente: por meio de sirenes, TV e radio
  • ter pessoal treinado para interagir com o público e dirigir a evacuação
  • educar a população para o que fazer quando ouvir um alerta e ter preparo para lidar em uma emergência

Nada disso existia lá na época, e o alerta do Tsunami caiu no vácuo da falta de opções.

Novamente, caímos na velha situação de agirmos somente quando o desastre bate em nossa porta. Mas ao menos, senti orgulho dos pesquisadores que trabalham com a previsão dos tsunamis, sabendo que fizeram tudo o que puderam para prevenir a tragédia.

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Arquivado em Curiosidades, Oceanografia / Oceanography, Tsunami

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