A enseada, o filme, e o Flipper brasileiro

Depois de assistir ao filme “The Cove” (tradução A Enseada, sem data prevista de lançamento no Brasil e vencedor do Oscar de melhor documentário esse ano) é impossível não querer escrever sobre ele.

O filme mostra a caça de golfinhos na enseada de Taiji, no Japão. O lugar eh uma fortaleza natural, e protegido pelos pescadores que nao querem que imagens da matança sejam divulgadas, e os produtores/equipe tem que invadir o local e usar alta tecnologia e criatividade para contornar a vigilância.

Devo assumir que fui assistir o filme com preconceitos: uma equipe norte-americana mostrando a matança de golfinhos no Japão me parecia um prato cheio para clichês, dissonâncias culturais e esteriotipização. E, infelizmente, o filme somente reforcou tais idéias.

Apesar dos pesares, gostei do filme e recomendo a todos. Se a única maneira de mobilizar a população mundial sobre problemas ecológicos e o mundo que nos cerca é apelando para emoções, sejamos emocionais então.

Para mim, a parte mais tocante do filme é a história de Ric’o Barry e a sua luta para destruir a indústria do entretenimento que usa golfinhos aprisonados, que ele próprio ajudou a construir (Ric nos anos 60 foi o treinador dos golfinhos no show de tv Flipper). O que poderia ser um conto de conversão piegas é, ao invés, altamente inspirador. Esse homem fez fortunas com o aprisionamento e treinamento de golfinhos, até que um momento decisivo abriu os seus olhos para o sofrimento que ele estava ajudando a provocar. Desde então ele passou a dedicar a sua vida para libertar golfinhos em cativeiro, educar as pessoas sobre esse problema e a parar com a matança e o tráfico de animais. Inclusive, ele resgatou golfinhos no Brasil, onde até os anos 90 tínhamos nosso show do Flipper (para mais informações veja http://www.dolphinproject.org/the-man-who-helps-dolphins.html)

Ric com o golfinho Flipper brasileiro que ele resgatou nos anos 90, o último golfinho em cativeiro no Brasil (sim, sim, eu fui ver o Flipper quando eu tinha 6 anos de idade, viu como nada eh preto no branco?) (fonte: http://www.aero-angels.com/animalsricobarry.html)

De qualquer maneira, a saga de Ric’o Barry é a saga de nós humanos: não somos criaturas somente capazes de fazer o mal ou o bem, nem tudo é preto no branco. A mão que hoje semeia ontem pode ter destruído. Vocês entendem meu ponto. Um filme que gira em torno de uma figura como essa tinha que ter levado em conta o lado humano das pessoas envolvidas com a pesca dos golfinhos. Infelizmente, filme toma o tom de “mocinhos” contra “bandidos”, onde claaarooo, os japoneses são os bandidos.

Eu sei, eu sei, eles tem certa culpa no cartório pelo nível extraordinário de exploração de recursos marinhos (incluindo os eternos favoritos pela fofura golfinho e baleia). Mas, todo mundo tem culpa no cartório pelo nível extraordinário de exploração de recursos naturais do planeta. Não é uma situação preto no branco.

De qualquer maneira, mocinhos ou bandidos, a matança de golfinhos não é sustentável. Para tomar parte da campanha visite a página do filme e assine o abaixo-assinado para que a caca de golfinhos seja regulada pela Comissão Baleeira Internacional (IWC):

http://www.thepetitionsite.com/takeaction/724210624

Se voce quiser dar mais um passo a frente, compartilhe o abaixo assinado com seus amigos, família e escola. E, da próxima vez que tiver a oportunidade, não vá a um parque aquático, não nade com um golfinho aprisionado, não sustente a indústria do tráfico de animais. Os oceanos agradecem!

3 Comentários

Arquivado em Animais, Brasil, Curiosidades, Divagações, Filmes, Oceanografia / Oceanography

3 Respostas para “A enseada, o filme, e o Flipper brasileiro

  1. rosemary

    eu adorava assistir esse filme do fliper acho q e porque esse filme me ensinou a ver a vida por um angulo bem melhor aprendi muito

  2. cristina gimenez

    Não podemos ver só o lado dos americanos, pois como o texto menciona o japoneses estão sendo os ‘bandidos’ da historia, mas com um grande motivo. Quem são eles para perjudicar a vida de tantas pessoas? pois eles não só estão perjudicando apenas os golifinhos como também a grande quantidade de doenças contraidas pela sua carne.. como revela no video, cultura não é aquilo que alguns fazem e sim o que o pais inteiro tém à tempos. O grave problema está em que milhoes de japoneses não fazem ideia de que esses pescadores de sangre frio estão fazendo em taiji com esses animais. O japão é o pais do peixe, mas com grandes quantidades de peixes diferentes, porque continuam com esta matança com os golfinhos que contraem doenças e sua carne não dá mercado de trabalho? isso serve para nos fazer refletir de como o ser humano hoje em dia está acomodado a situações como estas e não faz nada para poder mudar. Temos que fazer algo, porque pode parecer uma pequena coisa, mas é matança de 23.000 golfinhos por ano, e tudo começa com algo ‘pequeno’.

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