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Bag it! e o plástico em nossas vidas

Algumas semanas atrás eu fui assistir o filme “Bag it”

E um excelente documentário, dirigido por Suzan Beraza, e que tem como personagem principal Jeb Berrier, um notório desconhecido, um cara normal como nós, levando a sua vidinha normal e que um dia decide parar e pensar sobre as sacolinhas de plástico do supermercado, e esse questionamento o leva para bem mais longe.

Ele, e os telespectadores, descobrem que o plástico não esta somente presente nas sacolinhas, mas virtualmente em todos os produtos que utilizamos no nosso dia a dia: de mamadeiras à produtos esportivos, de embalagens para alimentos à produtos de uso pessoal, tudo contém plástico ou produtos químicos usados no processo de fabricação de plásticos. Produtos esses que podem fazer muito mal a nossa saúde.

BPA foi encontrado em 92% dos alimentos enlatados em uma pesquisa (Fonte: Huffington Post Food))

Um desses produtos é o BPA, o tema desse post. BPA, ou Bisfenol A, é usado em uma gama muito grande de produtos. A indústria do plástico adora esse produto pois ele facilita o trabalho com a resina do plástico. E, esse mesmo composto é usado para dar “acabamento” em outros lugares, por exemplo, dentro de copos de café (ainda não muito utilizados no Brasil) e dentro das latas de alimentos. Produtos de higiene pessoal, como sabonetes, shampoos, perfumes, cremes, etc, também podem conter BPAs, já que essa substância é usada para fazer a “fragrância”, e os componentes da mesma não precisam ser anunciados. Inclusive, BPA e usado em produtos de higiene para bebês, para ajudar o cheiro a ficar na pele da criança.

O BPA dessas embalagens e produtos são assimilados pelo nosso organismo, diariamente.

Mas, qual o problema com tanto BPA no nosso dia a dia?

O BPA é uma substancia estrogenica, ou seja, o nosso organismo a confunde com um dos hormônio femininos, o estrogênio. Desde a década de 30 acreditava-se que o BPA era prejudicial a saúde, mas recentes estudos demonstraram que esse composto pode:

  • causar obesidade
  • aumentar a incidência de câncer (especialmente de mama e próstata)
  • disfunção da tireóide
  • problemas cardíacos e no fígado
  • disfunção sexual em homens e mulheres, reduzindo a quantidade e a qualidade de esperma(aqui) e de óvulos
  • problemas de fertilidade
  • maior risco de nascimentos prematuros

Não bastando, esses efeitos são muito maiores em crianças, e quando elas são expostas a esse produto elas podem sofrer problemas cerebrais, de desenvolvimento hormonal, problemas de puberdade (precoce ou tardia).

Assustador bastante?

A boa notícia é que o BPA  é regularmente eliminado de nosso corpo. Podemos escolher consumir produtos que nao contenham PBA, ou diminuir ao máximo a nossa exposição a esses produtos.

As velhas mamadeiras de vidro voltaram, de roupa nova! E o melhor, vidro nao contém BPA!

É muito importante que crianças, especialmente bebês, sejam poupados da exposição a esse químico. Escolha produtos orgânicos, sem fragrâncias para cuidar do seu bebê. Evite usar mamadeiras que contenham BPA.

E a lei, o que diz?

No Brasil, o Senador Gim Argello propôs ano passado uma lei para proibir a venda de mamadeiras fabricada com essa perigosa substância (PLS 159/2010 veja o status da lei). A lei ainda esta em tramitação interna no Senado, e o público pode, e deve, ter uma opinião sobre isso. Por exemplo, escreva uma carta para o seu Senador dizendo que você apoia a aprovação da lei.

Considerando que diversos países já proibem o BPA em produtos para crianças (parte dos EUA, Canada, Costa Rica, Uniao Europeia), estamos um pouco atrasados!! Nos EUA, por pressão popular, os maiores fabricantes de alimentos estão buscando alternativas para as embalagens utilizadas que contem BPA. O maior problema é a utilização de outros compostos, sem testes, que podem ser ainda mais perigosos, mas isso é assunto para outro post

Se você quiser ler mais, os links abaixo sao um bom começo:

Otaodoconsumo Blog com muitas informacoes sobre BPA e legislação vigente

Intertox Varios artigos sobre BPA, muito bem escritos e completos, com as referências cientificas e atualizações da legislação brasileira

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Arquivado em Brasil, Filmes, Plásticos

A enseada, o filme, e o Flipper brasileiro

Depois de assistir ao filme “The Cove” (tradução A Enseada, sem data prevista de lançamento no Brasil e vencedor do Oscar de melhor documentário esse ano) é impossível não querer escrever sobre ele.

O filme mostra a caça de golfinhos na enseada de Taiji, no Japão. O lugar eh uma fortaleza natural, e protegido pelos pescadores que nao querem que imagens da matança sejam divulgadas, e os produtores/equipe tem que invadir o local e usar alta tecnologia e criatividade para contornar a vigilância.

Devo assumir que fui assistir o filme com preconceitos: uma equipe norte-americana mostrando a matança de golfinhos no Japão me parecia um prato cheio para clichês, dissonâncias culturais e esteriotipização. E, infelizmente, o filme somente reforcou tais idéias.

Apesar dos pesares, gostei do filme e recomendo a todos. Se a única maneira de mobilizar a população mundial sobre problemas ecológicos e o mundo que nos cerca é apelando para emoções, sejamos emocionais então.

Para mim, a parte mais tocante do filme é a história de Ric’o Barry e a sua luta para destruir a indústria do entretenimento que usa golfinhos aprisonados, que ele próprio ajudou a construir (Ric nos anos 60 foi o treinador dos golfinhos no show de tv Flipper). O que poderia ser um conto de conversão piegas é, ao invés, altamente inspirador. Esse homem fez fortunas com o aprisionamento e treinamento de golfinhos, até que um momento decisivo abriu os seus olhos para o sofrimento que ele estava ajudando a provocar. Desde então ele passou a dedicar a sua vida para libertar golfinhos em cativeiro, educar as pessoas sobre esse problema e a parar com a matança e o tráfico de animais. Inclusive, ele resgatou golfinhos no Brasil, onde até os anos 90 tínhamos nosso show do Flipper (para mais informações veja http://www.dolphinproject.org/the-man-who-helps-dolphins.html)

Ric com o golfinho Flipper brasileiro que ele resgatou nos anos 90, o último golfinho em cativeiro no Brasil (sim, sim, eu fui ver o Flipper quando eu tinha 6 anos de idade, viu como nada eh preto no branco?) (fonte: http://www.aero-angels.com/animalsricobarry.html)

De qualquer maneira, a saga de Ric’o Barry é a saga de nós humanos: não somos criaturas somente capazes de fazer o mal ou o bem, nem tudo é preto no branco. A mão que hoje semeia ontem pode ter destruído. Vocês entendem meu ponto. Um filme que gira em torno de uma figura como essa tinha que ter levado em conta o lado humano das pessoas envolvidas com a pesca dos golfinhos. Infelizmente, filme toma o tom de “mocinhos” contra “bandidos”, onde claaarooo, os japoneses são os bandidos.

Eu sei, eu sei, eles tem certa culpa no cartório pelo nível extraordinário de exploração de recursos marinhos (incluindo os eternos favoritos pela fofura golfinho e baleia). Mas, todo mundo tem culpa no cartório pelo nível extraordinário de exploração de recursos naturais do planeta. Não é uma situação preto no branco.

De qualquer maneira, mocinhos ou bandidos, a matança de golfinhos não é sustentável. Para tomar parte da campanha visite a página do filme e assine o abaixo-assinado para que a caca de golfinhos seja regulada pela Comissão Baleeira Internacional (IWC):

http://www.thepetitionsite.com/takeaction/724210624

Se voce quiser dar mais um passo a frente, compartilhe o abaixo assinado com seus amigos, família e escola. E, da próxima vez que tiver a oportunidade, não vá a um parque aquático, não nade com um golfinho aprisionado, não sustente a indústria do tráfico de animais. Os oceanos agradecem!

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Responder versus Responder a todos

Básico… todo mundo que usa email sabe a diferença entre o botãozinho “Responder” e “Responder a todos”.

Mas hoje essa diferença passou em branco para mim, respondendo toda feliz um email que buscava voluntários para amostrar uma desova de coral – com a opção de COLETAR as amostras mergulhando!! Imagina se eu ia dizer que não, agora que meu hobby e da Joana nos finais de semana é ir fazer snorkel por aí e estou toda faceira com isso.

Então, juntou-se empolgação, um pouco de sono e uma boa cólica que doia horrores e prejudicava minha concentração (aí, quanta desculpa!) e lá se foi o email para TODO meu departamento, incluindo alunos, professores, pesquisadores e mais umas pessoas extras… E agora, todo mundo sabe que eu quero fazer coletas, que prefiro mergulhar e que ainda vou viajar no dia 5!! Ainda bem que o email não vinha de alguém que eu tinha mais intimidade para quem eu teria escrito mais besteira, mas, ainda assim… É incrível como informação é poder. Agora eu sei que eles sabem coisas que eles não precisavam saber (como a data da minha viagem ou meu contentamento de ir coletar desova de coral mergulhando).

Engraçado como postar aqui, para conhecidos e desconhecidos lerem não tem o mesmo efeito. Eu estou escrevendo as mesmas coisas aqui e… não doi nada! Eu poderia colocar essas informações todinhas no Facebook, e todos meus colegas de departamento lerem e não iria ter problema nenhum. Pelo simples fato que eu posso ESCOLHER fazer isso. E o email foi um acidente. Foi informação vazada. Sem filtrar conteúdo e destinatários. Sem escolha racional. Mas também, sem conteúdo comprometedor. Então tá safo!

Diferente da história que meu namorado meu contou quando soube do episódio. Ele recebeu um email através da lista de uma associação profissional que ele participa no qual o remetente falava com o destinatário a respeito da herpes genital deles que estava melhorando. Claramente o email era para o amante do remetente, não para a sua lista profissional. É tão triste que é engraçado. Que situação!

Bom, eu decidi pensar que se alguém tem tempo para desperdiçar e lembrar do incidente quando me ver vão pensar: “Que legal! Essa guria curte mergulhar”, “Que bom, ela se prontifica a ajudar nos trabalhos alheios”, “Nossa, ela tem interesses multidisciplinares!”… hahahahaha… Assim fica melhor? Afinal, tudo depende de como encaramos as situações embaraçosas… Mas, na dúvida de faltar humor para lidar com as consequências do seu email, cuidado com o botão que você aperta… “Responder para todos” pode ser engraçado para todos, menos para você.

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