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Pedalando em Honolulu…

Bicicleta !! Quem não gosta de pedalar a sua?? Eh barato, eh amigável com o meio ambiente, é saudável, é fácil de estacionar… dá para apreciar melhor o dia, descobrir aquela padaria maravilhosa na vizinhança e ninguém pode negar que pedalar facilita a paquera ! E aqui no Hawaii, os ônibus equipados com um rack para transportar a bici facilitam a ida a lugares mais remotos da ilha.

Por essas e outras, meu meio favorito de transporte aqui eh a minha magrela vermelha. Mas, infelizmente, Honolulu nao eh uma cidade amigável aos ciclistas. Nada amigável. Há esparsas vias para bicicleta que não se conectam e que terminam misteriosamente nas curvas mais estreitas e periogosas para reaparecerem no meio de duas vias de carros. Depois de várias tentativas frustradas de pedalar sempre como se deve, na rua, eu desisti e apelei para as calçadas. Afinal de contas, ninguém gosta de caminhar nesse país e com exceção das zonas turísticas (waikiki) e de downtown os passeios estão sempre vazios e convidativos para uma segura pedalada.

Mas eis que, domingo de manhã, pedalando ao lado do canal da Ala Wai dois policiais me vêem e resolvem que eu vou ser a ciclista da vez e me param por estar pelando na calçada. Foi uma das raras vezes que eu dei graças a Deus pelo meu sotaque marcante pois assim que souberam da minha nacionalidade o que viria a ser uma multa de 75 dólares virou uma advertência. Mas não menos revoltante e injusto para mim. Sabendo que estava lidando com os Srs. Policias eu tive que ficar fininha e ser simpática, mas também tive que expressar meu descontentamento com a idéia de dirigir minha bici pelas ruas. Bem na hora q retrucava que ele tinha que dizer para os motoristas que o cantinho direito da rua era dos ciclistas, lá veio um kamikaze pelando pelo cantinho direito da rua num trecho SEM acostamento… e o Seu Policia me diz: “Olha ali, faz como ele está fazendo”. E eis que um ônibus a toda velocidade aparece e quase esmaga o amigo ciclista. Felizmente nada aconteceu, mas foi com deleite que pude continuar a minha argumentação com o Seu Policia… mas não deu em nada claro… fui advertida, meu nominho agora está no computador e da próxima não vai ter escapatória. E, ainda tive que conversar de capoeira! Sorrindo, claro!

O pior de tudo é que tentei argumentar que existia uma lei que permitia os ciclistas a dirigirem a menos de 6 milhas/hora nas calçadas… eu estava errada, a lei diz a menos de 10 milhas/hora, mas os Srs. Policia não sabiam da lei. E não souberam me explicar que aquela área é uma exceção a lei (o que vim descobrir pesquisando na internet).

Ok… eu estava errada, mas mesmo é inadmissível que policiais não saibam da lei estadual que permite trânsito nas calcadas e que não souberam me informar onde eu poderia pedalar em paz e segurança. Também é inadmissível que numa ilha, promovida como o paraíso tropical, não exista um plano para criar espaços seguros para ciclistas e nem para o melhoramento (drástico) do sistema de transporte público, o que poderia reduzir o numero de carros, tráfego e poluição.

Descobri nessa pesquisa pela internet que existem outros muitos ciclistas na cidade, tão indignados quanto eu, de ganharem uma multa ou advertência por estarem andando na calçada, quando nao há outra alternativa segura. E também que o Havaí ganhou o segundo lugar no ranking nacional no número de mortes de ciclistas entre 2002-2005. Mais interessante é que os policiais PEDALAM na calçada, exatamente nas áreas de maior fluxo de pedestres. Quem quer vir pedalar por aqui?

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Um filme, uma revolta, uma esperança…

Ontem foi um dia de chuva… eh, eu não só senti saudade… eu também enrolei para caramba…E, dia de chuva eh dia de filme, e finalmente assisti um filme que estava na minha lista jah ha algum tempo: The Prisioner ou How do I planned to kill Tony Blair.

O filme mostra a historia de 4 irmãos que sao levados prisioneiros pelo exército americano acusados de conspiração para matar o primeiro ministro britânico. Mas, eles nada mais são do que uma família civil, pessoas normais, sofrendo por estar no lugar errado na hora errada. Interessante a historia que se desenrola com um dos soldados destinados a guardar parte da prisão… prisioneiros e soldados se tornam amigos (esses são os novos soldados enviados a Abu Ghraib depois dos escândalos de tortura e abusos sexuais por parte do exercito) e isso dá alimento as perguntas que inevitavelmente começam vir a mente: Por que essa guerra? Por que guerras? Por que se unir ao exercito? Por que deixar pessoas sabidamente inocentes presas? Por que?

Eu não consigo respostas para nenhuma dessas perguntas… Só consigo pensar em ganancia e egoismo… Mas, depois de liberto, Yunnis, o personagem principal do filme, um dos irmãos detidos e jornalista, volta ao trabalho e a reportar o que a guerra vem trazendo ao seu pais, mesmo colocando em risco a sua vida novamente. Os laços de humanidade unindo supostos inimigos e a determinação e desprendimento de Yunnis, me fazem acreditar que há um caminho e esperança para a humanidade… “Somewhere… over the rainbow, blue birds fly…”

Abaixo, a carta do soldado Thompson ao diretor do filme, antes desse filme ser rodado, quando ele conseguiu localizar o seu amigo Yunnis por causa de uma filmagem:

r. Tucker
I am looking for you….
Last week I [read about an Iraqi prisoner named] Yunis being captured [by U.S. troops] in [your movie] Gunner Palace. I … rented it and saw that it was the Yunis I know…. I served at Abu Ghraib from February 2004 [to] February 2005 at Camp Ganci, the enclosure where Yunis was my detainee…. I’ve been typing his name into google since I [returned to America from] Iraq…. I was very close with Yunis [and his brothers], Khalid [and] Abbas…. Obviously you can never tell for certain in such a crazy environment what is really going on, but I felt that these people were my good friends and that we survived that hell together with support from one another. I truly love these people….
Benjamin Thompson

E aqui, o website do filme, para quem estiver interessado:

http://www.theprisoner.us/about.html

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