Transport of Japan tsunami debris

A big conference on Asian Studies was held last week in Honolulu. Some prominent professors quickly put together a pannel about the earthquake and tsunami in Japan. This special session was going to focus on the human aspects of the tragedy, and the discussants included an anthropologist, historians, a jornalist and a political scientist. One of the questions asked to this pannel was when and where the tsunami debris would arrive. One of the pannel members, Prof. Ted Bestor of Harvard, offered a good answer, probably because he is familiar with the Pacific current system after years of studying fisheries in the region. However, this reflects how frequently this question appears: where and when the debris generated by the Japan tsunami will arrive. A question not only asked by ocean scientists, but by everyone.

Science aside, one of the problems I found myself dealing with is how to label all this material being transported in the ocean. As a researcher, I refer to it as debris. However, as a human being it is impossible not to think of it as important pieces of people lives: those were their houses, their memories: pictures, albuns, diaries, books, personal belongings and much more.

But again, as an oceanographer, studying transport in the oceans, this a theme of great interest for me. The North Pacific is already famous for the big “Garbage Gyre.” Since a great amount of debris was transported from Japan, the question remains: Where is it all going?

Two researchers here in the University of Hawaii, Prof. Nicolai Maximenko and programmer Jan Hafner (both working at the International Pacific Research Center – IPRC), modeled the dispersion of the debris, some probable distributions are shown bellow and you can find a link to their animation of the dispersion at the end of this post.

Probable dispersal pathways for the debris generated by the Japan tsunami. From: http://iprc.soest.hawaii.edu/news/press_releases/2011/maximenko_tsunami_debris.pdf

The researchers found that the debris will hit the Northwestern Hawaiian Islands in about one year, those islands are part of the Papahānaumokuākea Marine National Monument. In two years, the debris will start to also be found on the shores of the Main Hawaiian Islands (the most populated islands in the south of the archipelago): Hawaii, Maui, Molokai, Oahu e Kauai.

In three years, the debris will arrive to the west coast of the United States and Canada, moving as far south as Baja California in Mexico and as far north as Alaska in the US. Part of it will remain in the great garbage gyre, desintegrating into smaller pieces. In about five years, some of this material will again be washed ashore in the Main Hawaiian Islands. The consequences for marine life are still unknown.

Simulation of debris transport carried out by Dr. Nicolai Maximenko and Jan Hafne. From: http://www.hawaii.edu/newsatuh/2011/04/tsu

You can find the original at the UH news website http://www.hawaii.edu/newsatuh/2011/04/tsunami-debris/

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Arquivado em Hawaii

Transporte de detritos do tsunami no Japão

Semana passada aconteceu uma grande conferência de Estudos Asiáticos aqui em Honolulu. Alguns antropólogos, as pressas, reuniram pesquisadores famosos que estudam o Japão para um painel sobre o tsunami e terremoto. Esse painel iria discutir o aspecto humano da tragédia, e os lideres da discussão eram antropólogos, historiadores, jornalistas e cientistas políticos. Uma das perguntas que foi feita a esse painel foi, onde e quando os detritos gerados pelo tsunami chegariam. Um deles conseguiu se sair bem com a sua resposta (provavelmente por estudar pesca ele teve contato com mapas de corrente no Pacífico). Essa historinha (ou estorinha se o dicionário aceitasse) é para ilustrar o quão comum essa pergunta é por aqui, feita não somente por cientistas, mas pelo público em geral. Afinal, o que vai acontecer com todo o material retirado pelo tsunami no Japão.

Um dos problemas que eu encontro é como me referir a tudo que está sendo transportado no oceano. Como cientista, vou me referir a esse material como detritos (debris em inglês). Como ser humano porém, é impossível não pensar que isso são pedaços da vida de muitas pessoas, são suas casas, memórias: fotos, livros, álbuns, diários, e muito mais.

Novamente, como oceanógrafa, que estuda transporte no oceano, esse é um tema de grande interesse para mim. O Pacifico Norte já é famoso por alojar o “Grande Giro de Lixo”, uma área do Pacifico, no centro do giro do Pacifico Norte, que acumula lixo gerado ao redor do oceano e por navios cruzando a região (material para um próximo post). Como uma grande quantidade de material foi transportado do Japão, fica a pergunta: para onde vai esse material?

Dois pesquisadores aqui da Universidade do Havaí, Nicolai Maximenko e Jan Hafner (ambos trabalhando no International Pacific Research Center – IPRC), fizeram a modelagem da dispersão desse material, que pode ser vista clicando no vídeo no final do post.

A provável trajetória do material retirado do Japão pelo tsunami. Fonte: http://iprc.soest.hawaii.edu/news/press_releases/2011/maximenko_tsunami_debris.pdf

Os pesquisadores viram que os detritos vão atingir as ilhas do Noroeste do Havaí (as Northwestern Hawaiian Islands), que são parte do Monumento Marinho Nacional Papahānaumokuākea, em um ano. Em dois anos, os detritos vão começar a ser encontrados nas praias das ilhas ao sul do arquipélago Havaiano, que também são as mais habitadas: Hawaii, Maui, Molokai, Oahu (onde vivo) e Kauai.

Em três anos, o material vai chegar a costa oeste dos Estados Unidos e Canadá (Califórnia, Alaska, British Columbia). O restante vai continuar circulando no meio do oceano, no grande giro de lixo, e quebrará em pedaços menores. Em cinco anos, uma parte desse material vai ser novamente transportado para as praias havaianas. As consequências disso para a vida marinha ainda precisam ser investigadas.

Simulação da dispersão do material retirado pelo tsunami no Japão, feito por Dr. Nicolai Maximenko e Jan Hafne. Retirado de http://www.hawaii.edu/newsatuh/2011/04/tsu

Se você se interessar, pode ver a notícia original na UH news: http://www.hawaii.edu/newsatuh/2011/04/tsunami-debris/

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Arquivado em Modelagem Numérica, Oceanografia / Oceanography, Tsunami

Bag it! e o plástico em nossas vidas

Algumas semanas atrás eu fui assistir o filme “Bag it”

E um excelente documentário, dirigido por Suzan Beraza, e que tem como personagem principal Jeb Berrier, um notório desconhecido, um cara normal como nós, levando a sua vidinha normal e que um dia decide parar e pensar sobre as sacolinhas de plástico do supermercado, e esse questionamento o leva para bem mais longe.

Ele, e os telespectadores, descobrem que o plástico não esta somente presente nas sacolinhas, mas virtualmente em todos os produtos que utilizamos no nosso dia a dia: de mamadeiras à produtos esportivos, de embalagens para alimentos à produtos de uso pessoal, tudo contém plástico ou produtos químicos usados no processo de fabricação de plásticos. Produtos esses que podem fazer muito mal a nossa saúde.

BPA foi encontrado em 92% dos alimentos enlatados em uma pesquisa (Fonte: Huffington Post Food))

Um desses produtos é o BPA, o tema desse post. BPA, ou Bisfenol A, é usado em uma gama muito grande de produtos. A indústria do plástico adora esse produto pois ele facilita o trabalho com a resina do plástico. E, esse mesmo composto é usado para dar “acabamento” em outros lugares, por exemplo, dentro de copos de café (ainda não muito utilizados no Brasil) e dentro das latas de alimentos. Produtos de higiene pessoal, como sabonetes, shampoos, perfumes, cremes, etc, também podem conter BPAs, já que essa substância é usada para fazer a “fragrância”, e os componentes da mesma não precisam ser anunciados. Inclusive, BPA e usado em produtos de higiene para bebês, para ajudar o cheiro a ficar na pele da criança.

O BPA dessas embalagens e produtos são assimilados pelo nosso organismo, diariamente.

Mas, qual o problema com tanto BPA no nosso dia a dia?

O BPA é uma substancia estrogenica, ou seja, o nosso organismo a confunde com um dos hormônio femininos, o estrogênio. Desde a década de 30 acreditava-se que o BPA era prejudicial a saúde, mas recentes estudos demonstraram que esse composto pode:

  • causar obesidade
  • aumentar a incidência de câncer (especialmente de mama e próstata)
  • disfunção da tireóide
  • problemas cardíacos e no fígado
  • disfunção sexual em homens e mulheres, reduzindo a quantidade e a qualidade de esperma(aqui) e de óvulos
  • problemas de fertilidade
  • maior risco de nascimentos prematuros

Não bastando, esses efeitos são muito maiores em crianças, e quando elas são expostas a esse produto elas podem sofrer problemas cerebrais, de desenvolvimento hormonal, problemas de puberdade (precoce ou tardia).

Assustador bastante?

A boa notícia é que o BPA  é regularmente eliminado de nosso corpo. Podemos escolher consumir produtos que nao contenham PBA, ou diminuir ao máximo a nossa exposição a esses produtos.

As velhas mamadeiras de vidro voltaram, de roupa nova! E o melhor, vidro nao contém BPA!

É muito importante que crianças, especialmente bebês, sejam poupados da exposição a esse químico. Escolha produtos orgânicos, sem fragrâncias para cuidar do seu bebê. Evite usar mamadeiras que contenham BPA.

E a lei, o que diz?

No Brasil, o Senador Gim Argello propôs ano passado uma lei para proibir a venda de mamadeiras fabricada com essa perigosa substância (PLS 159/2010 veja o status da lei). A lei ainda esta em tramitação interna no Senado, e o público pode, e deve, ter uma opinião sobre isso. Por exemplo, escreva uma carta para o seu Senador dizendo que você apoia a aprovação da lei.

Considerando que diversos países já proibem o BPA em produtos para crianças (parte dos EUA, Canada, Costa Rica, Uniao Europeia), estamos um pouco atrasados!! Nos EUA, por pressão popular, os maiores fabricantes de alimentos estão buscando alternativas para as embalagens utilizadas que contem BPA. O maior problema é a utilização de outros compostos, sem testes, que podem ser ainda mais perigosos, mas isso é assunto para outro post

Se você quiser ler mais, os links abaixo sao um bom começo:

Otaodoconsumo Blog com muitas informacoes sobre BPA e legislação vigente

Intertox Varios artigos sobre BPA, muito bem escritos e completos, com as referências cientificas e atualizações da legislação brasileira

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